A verdadeira Diva da ópera
Magda Olivero 102 anos!
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| Magda Olivero aos 100 anos em seu apartamento em Milão |
Maria Maddalena Olivero faz 102 anos hoje. Nasceu em Saluzzo,
em 25 de março de 1910. Magda Olivero é uma voz e uma personalidade únicas na
história do canto. Não há paralelo possível entre a Olivero e as cantoras
atuais, ou mesmo entre as cantoras de sua geração. É um ícone verdadeiro do canto lírico,
reforçado pela longevidade que ela alcança serena, lúcida, com saúde e sobretudo
ainda produtiva.
Sua longa carreira a transformou em ponto de encontro a unir mais
de uma geração de grandes cantores. Cantou com astros da primeira metade do século passado, como Tito Schippa, Beniaminio Gigli e
Giacomo Lauri-Volpi; com Mario Del Monaco, Franco Corelli, Giuseppe Di Stefano
e Carlo Bergonzi, da geração seguinte; e alcançou Placido Domingo e Luciano Pavarotti. Magda Olivero é a
história viva de quase um século de ópera!
Em seus 50 anos de carreira Magda levantou platéias
no mundo inteiro. Não apenas nos grandes teatros, mas também nas periferias do
mundo e nos teatros de província. As artistas "famosas"
cantavam apenas no grande circuito e gravavam muito. La Olivero cantava nos grandes centros, mas também nos distantes lugares
onde as cantoras de grande fama foram poucas vezes ou nunca puseram os pés,
apesar da multidão de admiradores que tinham e das paixões que arrebatavam.
Poucos são os que viram ao vivo Maria Callas ou Renata Tebaldi –mais conhecidas
pelas gravações e uns poucos vídeos. No entanto, são muitos os que, em dezenas
de países de todos os continentes, tiveram contato direto com a arte de Magda Olivero
e puderam aplaudi-la desde sua estréia em 1932. Talvez por isso ela tenha se
transformado numa unanimidade entre os amantes de ópera.
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| Tosca. Rio de Janeiro, julho de 1964 |
Magda é chamada por
muitos de “A última diva do verismo”.
Talvez seja mais do que isso. Talvez seja a diva
verdadeira, a diva real, aquela que
foi possível ver de perto, de quem se pode conseguir a atenção de uma palavra e
um autógrafo. Magda não é um mito. É um ícone. Artista sensível e refinada, ela
sempre soube cultivar igualmente a humildade e a simplicidade. É assim até
hoje, do alto dos seus magníficos 102 anos.
Mas, no palco, vivendo Floria Tosca ou Adriana, era uma explosão, às vezes incontrolável, de sentimentos! Deixava de ser ela mesma para dar vida à ficção. Poucas cantoras foram tão atentas ao texto como Magda. Charles Gounod dizia que “um grande cantor deve ser, antes de mais nada, um grande orador”. E explicava: “no fundo só há uma arte, a PALAVRA, e uma só função, EXPRESSAR”. Magda Olivero está entre as poucas cantoras que sabiam realizar o que Gounod pedia dos intérpretes. Grande dama do verismo, que Gounod não chegou a conhecer, Magda é a grande mestra do “recitar cantando”.
Atribui-se a Joan Sutherland uma frase que ficou famosa. Por
ocasião da estréia de Magda no Metropolitan, aos 65 anos em 1975, cantando a Tosca, uma celebrada cantora
teria comentado com Sutherland:
“-Ela canta bem, mas ‘divas’ somos nós, não é mesmo?”
“-Ela canta bem, mas ‘divas’ somos nós, não é mesmo?”
Sutherland retrucou:
"-Não, minha cara. Nós somos apenas famosas. A
verdadeira Diva da ópera é Magda Olivero."
Henrique Marques Porto

