“Ontem fui ver Götterdammerung de
Wagner (...)
Você já viveu sem ter curtido Wagner?”
(no dia 02/05/1993)
“(...) Mas em Wagner só se
aplaude quando o maestro executa a última nota. Aí se aplaude de maneira que
espantaria a torcida do Flamengo e do Corinthians”.
(no
dia 06/05/1993)
Paulo Francis - O Globo
por Heliana Farah *
Kitcsh, brega e cafona, a maioria das definições desses termos
trazem referência a excesso de qualquer natureza.
O que isso tudo tem em relação às vaias no Theatro Municipal do
Rio de Janeiro na última quarta-feira, dia 28/11, e à Voz Lírica? Começarei
ilustrando por um episódio narrando o oposto.
Há bem pouco tempo, ainda em novembro de 2012 fui a uma récita da Forza del Destino, de Verdi, num espaço
pequeno e apresentada com acompanhamento de piano. O tenor era sublime e logo
depois de sua primeira ária começamos a urrar delirantemente e a aplaudir. Duas
senhoras umas duas fileiras à nossa frente nos olharam com cara feia e falaram
alguma coisa para gente. E com “a gente” me refiro a pessoas que realmente
conhecem ópera e tradição operística. Não entendemos, achamos que
inacreditavelmente elas não haviam gostado do tenor. No fim da récita, uma
outra senhora que estava entre a gente e essas duas nos explicou o motivo da
irritação: elas diziam que estávamos nos portando como se estivéssemos no Maracanã!
Essas não conhecem nada de ópera e nem leram Paulo Francis! Pois é, ópera
sempre atraiu gente metida a besta que gosta de ir para esnobar, muitas vezes
nem gosta do gênero, mas se força a gostar, afinal acham chique.
